O CarismaNotícias › 10/06/2018

“Permaneçamos insistentes na esperança”

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Frei Augusto Luiz Gabriel

São Paulo (SP) – “Santo Antônio nunca esteve tão vivo como nos dias de hoje”, disse o Pe. Sextílio Bortolo Focchesatto, da Igreja Santo Antônio da Praça do Patriarca em São Paulo (SP), local de onde teve início a procissão de Santo Antônio, às 10 horas deste domingo, 10 de junho, 10º Dia da Trezena de Santo Antônio. Paroquianos e devotos do santo franciscano levaram a imagem carregada no andor até o Convento e Santuário São Francisco, no Largo São Francisco. Ornamentado não só pelas flores que o circundavam, o andor também teve companhia das crianças trajadas com vestes de anjos, que deram um tom celestial à Celebração Eucarística, das 10h30, presidida por Frei Gustavo Medella, e concelebrada por Frei Diego Melo e Frei José Lorenz Führ.

ESPERANÇA

“Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…”

Partindo da liturgia do 10º Domingo do Tempo Comum, Frei Gustavo iniciou sua homilia lendo um poema do poeta Mário Quintana intitulado “Esperança” (leia ao lado).

Segundo o frade, o Evangelho apresenta uma cena onde os parentes de Jesus pensam que Ele estava ficando louco. Querem até agarrá-lo porque pensam que Ele estava fora de si. E o poema fala de uma louca que se chama esperança, referindo-se ao tema do dia do 10º dia da Trezena: “Pão da Esperança”.

Para o pregador, o modo de Jesus se apresentar mostra que de fato Ele estava impregnado nessa loucura chamada esperança. “Não pode estar muito bem da cabeça quem manda que amemos os nossos inimigos, rezemos por aqueles que nos perseguem e façamos o bem a quem nos faz o mal”, sublinhou.

Pensando friamente, a partir do crivo da razão apenas, esse modo de agir entra no juízo e instinto de sobrevivência ou de vingança das pessoas, parecendo mesmo que é loucura! Segundo o celebrante, para termos esperança precisamos também dessa dose homeopática e necessária de loucura.

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“Ser esperançoso é ser teimosamente otimista, insistentemente otimista. É ‘fincar o pé’ numa teimosia para o bem, mesmo quando a situação parece estar difícil, mesmo quando tudo parece não dar certo, manter aceso em si a coragem de continuar acreditando, de seguir apostando, de olhar diante de si um horizonte bonito que nos chama à superação, que nos chama a dar a volta por cima e que nos chama a ser teimosos naquilo que aprendemos de Nosso Senhor Jesus Cristo”, ensinou o frade.

Para ele, a desonestidade, corrupção e egoísmo parecem estar tomando conta da sociedade. Por isso, pediu que as pessoas sejam mais honestas, solidárias e generosas. “Só pra contrariar! Só porque quero abraçar esta loucura chamada esperança, vivida pelo louco Jesus e pelos loucos santos que souberam trazer para suas vidas este sentimento e esta postura”, acrescentou.

“Os corintianos não dizem que são um ‘bando de loucos’? Nós, cristãos, também podemos dizer que queremos ser um ‘bando de loucos’. Desta loucura de quem abre o coração e se coloca à disposição de quem precisa. Mesmo sem saber o que vai dar no final”, enfatizou.

Referindo-se à fala do Papa Francisco que disse preferir uma Igreja em saída, que vai ao encontro dos irmãos e daqueles que precisam, Frei Gustavo convida a todos a permanecerem insistentes na esperança.

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“Vamos teimar na esperança, não vamos entregar os pontos fácil, não! Vamos buscar fazer a diferença a partir daquilo que está ao nosso alcance. Santo Antônio também teve muitos motivos para perder a esperança. Passou dificuldades, teve uma grave enfermidade, sofreu muito com dores, morreu jovem, mas Ele segurou e reteve em si a esperança que vem de Deus. Na sua fragilidade, ele soube colocar-se a serviço do Reino com tanto carinho. Por isso, ele não morreu mas continua vivo dando-nos este caminho e injetando em nossos corações esta dose de esperança, que se faz necessário para seguirmos em frente. Não tenhamos medo de partilhar o pão da esperança, para assim fortes seguirmos a nossa caminhada na direção da construção do aqui e agora de nossa vida, do reino e do mundo sonhado por Deus”, pediu o pregador.

Após a comunhão, Frei Odorico Decker, que possuiu um repertório vasto, brindou a todos tocando músicas na sua gaita de boca, como de costume. Foi calorosamente aplaudido. Também receberam muitas salvas de palmas o grupo de flautistas do Santuário. Ao som das flautas, Santo Antônio e São Francisco foram louvados neste dia. Em breve postaremos o vídeo aqui. E para finalizar a manhã, no interior do Convento foi servida uma deliciosa macarronada. Nesta segunda (11/06), a Trezena acontecerá às 12 horas e terá como tema: “Santo Antônio, o Santo da Fraternidade”.

787 ANOS DA MORTE DE SANTO ANTÔNIO

Antes da missa iniciar, Frei Gustavo concedeu a palavra ao Pe. Sextílio Bortolo Focchesatto, que fez memória de alguns aspectos e fatos da vida de Santo Antônio. Ele lembrou que Antônio, naquele tempo ainda recém-formado na Universidade de Coimbra, acolheu na sua casa a visita dos frades franciscanos que estavam de viagem para Marrocos, para lá pregarem a Palavra de Deus, e que depois voltaram mortos, mártires.

Segundo ele, este fato tocou profundamente Antônio que quis também conhecer São Francisco e entrar na Ordem do Frades Menores, recém-fundada de São Francisco. “E aqui um fato muito importante: Francisco foi visitar Antônio e hoje nós fizemos o inverso, Antônio veio até aqui visitar Francisco. É um fato bonito este entrelaçamento e contato muito pessoal e maravilhoso entre estas duas igrejas que são próximas: Santo Antônio e São Francisco”, ressaltou.

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Pe. Sextílio ainda disse que São Francisco e Santo Antônio não têm ciúmes entre um e outro, sempre foram santos, cada qual a sua maneira. E informou que na próxima quarta-feira, 13 de junho, farão 787 anos da morte de Santo Antônio, ou seja, faltam poucos anos para a grande celebração dos 800 anos da morte de Antônio.

“Vocês acham que Antônio morreu?”, perguntou o padre e ouviu os presentes dizendo que não. “Nunca esteve tão vivo como hoje em dia. Cada um é santo da sua maneira. Francisco e Antônio continuam amigos lá na casa do Pai, cada um intercedendo junto aos seus devotos. Que São Francisco e Santo Antônio intercedam por esta grande cidade de São Paulo e pelo mundo!”, pediu.

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