O CarismaNotícias › 06/06/2018

“A fé sem solidariedade é uma fé sem Cristo”

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Frei Augusto Luiz Gabriel

São Paulo (SP) – “Santo Antônio e o Pão da Solidariedade” foi o tema do 6º dia da Trezena de Santo Antônio no Convento e Santuário São Francisco, em São Paulo, nesta quarta-feira, 6 de junho. Frei Mário Tagliari, presidente da Celebração Eucarística das 15 horas, destacou que Frei Antônio foi um homem do Evangelho e da solidariedade.

Frei Mário iniciou sua homilia dizendo: “O Papa Francisco nos diz que Jesus Cristo é o maior gesto de solidariedade do Deus Pai. Ou seja, Deus se revela solidário à humanidade ao enviar seu Filho Jesus, o Deus Homem, o Deus Encarnado. Aliás, o tema da Encarnação é muito caro a São Francisco e Santo Antônio. Antônio quando fala da Eucaristia – e eu sempre lembro durante a celebração da Eucaristia – diz: ‘Ele veio a ti para tu ires a Ele’. Ele, Deus, em Jesus Cristo vem a cada um de nós no presépio, no Natal, vem na Eucaristia a cada dia para que, comungando, possamos ir até Ele. Isto é a solidariedade de Deus para conosco”, ensinou o celebrante.

Fazendo uma leitura da sociedade atual, Frei Mário falou sobre a falta de solidariedade no mundo. Segundo ele, muitas pessoas virtualmente possuem uma enorme rede de amigos, mas fisicamente não sabem nem quem são as pessoas que moram no próprio prédio, exemplificou.

SANTO ANTÔNIO E A SOLIDARIEDADE

trezena_sp_060618_1Relembrando a vida de Santo Antônio, o pregador afirmou que Antônio foi um homem do Evangelho e da solidariedade. “Na acolhida dos frades que iam em missão em Marrocos, e que depois voltam mortos como mártires, foi o momento decisivo onde ele sentiu um forte desejo de se tornar franciscano e entregar toda a sua vida ao Reino, assim como fizeram aqueles fradezinhos”, afirmou o frade.

Para Frei Mário, Santo Antônio é tocado pela graça de Deus de uma forma muito forte. “Ele sentiu o chamado para ir além, colocando também sua vida a serviço de Deus e do Evangelho, como missionário. No entanto, os planos de Deus eram outros! Ele ficou doente e, no caminho de volta, o navio não conseguiu mais voltar a Portugal, ficando  na Itália, em Pádua. Lá ele viveu no eremitério onde trabalhava na cozinha, horta e na portaria. Ali, ele se sentiu desafiado por esta solidariedade que Deus possui para com os pobres”, disse frei Mário, mencionando a história da doação dos pães que era dos frades para os pobres. “Percebemos a graça, a ação e a fé em Deus que se faz compaixão e solidariedade para com os pobres”, acrescentou.

O celebrante ainda lembrou que, certa vez, na ausência do pregador escolhido, Frei Antônio fez a pregação na celebração de uma ordenação, diante do bispo. “Pregou o Evangelho de forma bonita e cativante, de forma simples falou ao povo com carinho e com amor. Tornou-se de imediato especial para o povo e para o bispo. Pregou o Evangelho com fervor e eloquência. Cativou as multidões por falar uma linguagem bonita e simples ao coração. Aí não deu mais para ficar somente na cozinha ou na horta, em todo o canto passou a ser chamado para pregar”, brincou o frade.

Frei Mário contou que em seus sermões Antônio denunciava as injustiças contra os pobres e pequenos. Pregou pela união das famílias e combateu as heresias. Ele também recebeu de São Francisco um bilhete, onde pedia para ensinar as escrituras aos jovens frades, conquanto não perdessem o espírito da oração e devoção. “E ele faz isso de modo belíssimo. Em suas pregações, Antônio une a sabedoria com a humildade de vida. Cultura e conhecimento com a simplicidade de vida. Fé e oração com a caridade para com os mais pobres. Foi um homem culto e simples!”, garantiu o guardião do Convento.

Dirigindo-se a imagem de Santo Antônio, pediu o pregador: “Ó Santo Antônio, pão dos pobres, restaurador dos lares, Santo casamenteiro, Santo das coisas perdidas, ensina-nos hoje de modo especial a solidariedade. Ensina-nos a sermos solidários como tu fostes, porque encontraste no Evangelho o Cristo Deus solidário”, rezou.

“CHORAR OS MORTOS QUE NINGUÉM CHORA”

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Frei Mário relembrou a viagem do Papa Francisco, realizada em Lampedusa em 2013 (ilha italiana do Mediterrâneo) no início do pontificado do Sumo Pontífice. Segundo o  pregador, o Papa foi até lá e chorou! Citando Francisco disse: ‘Nós perdemos a capacidade de chorar com o sofrimento dos outros’, e a isso o Papa chamou de globalização da indiferença. As notícias do mundo inteiro chegam em tempo real para nós, mas somos tão indiferentes à dor e ao sofrimento do outro. Perdemos a capacidade de sermos solidários. Solidariedade e compaixão são palavras irmãs que andam juntas”, ensinou o frade.

Também lembrou a visita do Papa ao Paraguai em 2015, onde o Francisco afirmou que a fé sem solidariedade é uma fé morta, é uma fé sem Cristo. Dizia o Papa: ‘A fé desperta o nosso compromisso com os outros, desperta a nossa solidariedade’. “Se ela não fizer isso não é fé em Jesus Cristo. Ter fé em Cristo significa ser solidário aos irmãos. Nas leituras de hoje nós vemos muito bem isso. Paulo se faz solidário à comunidade, fala dos seus sofrimentos, foi solidário ao Evangelho. Então, uma fé que não seja solidária não é um fé no Senhor Jesus que escolheu viver entre os mais pobres. Que escolheu viver no nosso meio, que se fez um de nós. Deus se fez solidário à humanidade, a nós, nascendo muito pobrezinho em uma gruta em Belém. Gesto primordial da solidariedade de Deus”, indicou o pregador.

Após a comunhão, o celebrante, convidou toda a assembleia a cantar os parabéns para Sonia Praça Rivaben, da Pia União de Santo Antônio (grupo de devotos que trabalham na distribuição dos pães do santo franciscano todas as terças-feiras). Em seguida, lembrou dos próximos compromissos, a saber: Dia 9 de Junho, festa junina das 11h00 às 19h00. Dia 10 de junho, macarronada no Convento das 11h00 às 15h00 e também no Dia 10 de junho, procissão de Santo Antônio às 10 horas.

Com o relicário de Santo Antônio, abençoou e aspergiu água benta nos presentes. Amanhã (7/6), a Trezena será às 15 horas e terá como tema: “Santo Antônio o Pão da Verdade”.

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