O Santo da Caridade: “Serviço, entrega e doação”

São Paulo (SP) - No terceiro dia (02/06) da Trezena de Santo Antônio na Paróquia Santo Antônio do Pari em São Paulo (SP), o pregador, Frei Clauzemir Makximovitz, que veio de Lages (SC) falou sobre o tema: “O Santo da Caridade”. Segundo ele, caridade está na dinâmica do Amor, que só tem sentido quando gratuito. “Amor verdadeiro não depende de ser correspondido, reconhecido ou valorizado, isso porque amor não tem nada a ver com sentimentalismo, mas sim com serviço, entrega e doação”, explicou o jovem frade.

Segundo ele, a vida franciscana que tanto encantou o jovem Fernando, então membro da ordem agostiniana, tem um forte acento na gratuidade de Deus. Santo Antônio, antes de ser franciscano, já estava na vida religiosa, teve uma formação significativa na Ordem de Santo Agostinho, aprofundando-se no estudo da Bíblia e das obras patrísticas.

“Mas ele viu na missionariedade, no despojamento e simplicidade dos franciscanos, algo que ele também queria viver. Entrou na ordem franciscana, recebeu o nome de Antônio, e adotou uma vida de muita simplicidade e total entrega a Deus. Essa entrega só é possível quando assumimos em nossa vida a dinâmica da gratuidade, caso contrário, ela se torna artificial e pesada demais”, destacou.

trezena_pari_1“Para nós ainda é difícil compreendermos relações baseadas na gratuidade. Somos quase que completamente movidos pelos conceitos de troca e de recompensa. Fazemos da nossa vida um grande comércio, com os outros e com Deus. E isso não pode ser assim. Quase que negamos o amor de Deus e sua ação real, concreta em nossas vidas. Negamos porque não entendemos que esse Amor é sempre gratuito. Oferecer alguma coisa ao outro sem esperar nada em troca, seja nosso tempo, nossa atenção, nosso respeito. Mesmo nos gestos de caridade que exercitamos, como dar esmola, por exemplo, somente se trata de verdadeira caridade, quando gratuita, ou seja, com a expectativa do reconhecimento ou da gratidão. E nós não somos capazes disso, sempre ficamos na expectativa de alguma coisa, nem que seja um olhar agradecido em retorno”, ressaltou o pregador.

Segundo ele, quando nos relacionamos com Deus, é a mesma coisa. “Achamos que nossos gestos de bondade vão nos fazer ganhar os favores de Deus, mas isso não passa de uma tentativa de fazermos comércio com Deus, o que não tem sentido. Tudo o que temos e somos pertence a Deus, não a nós, Ele nos concede esses dons para o nosso cuidado, não para nossa posse. Reconhecer isso é o primeiro passo para entender a dinâmica da gratuidade das ações divinas, e para que a Caridade se torne possível em nossas ações. Caridade está na dinâmica do Amor, que só tem sentido quando gratuito”, disse Frei Clauzemir.

E conclui dizendo: “Amor verdadeiro não depende de ser correspondido, reconhecido ou valorizado, isso porque amor não tem nada a ver com sentimentalismo, mas sim com serviço, entrega e doação. Deus nos ama não porque mereçamos ser amados, ou porque o amemos de volta… Deus nos ama simplesmente porque Ele é bom. E Caridade é esse Amor! Antônio, quando ainda se chamava Fernando, se deparou com a entrega máxima de alguns frades que foram martirizados, e se sentiu extasiado, chamado a viver também essa entrega e doação em sua vida. Como podemos doar a nossa vida assim, gratuitamente? Comecemos pelos pequenos gestos, de partilha, de doação. Oferecendo o que temos também de precioso, nosso tempo, nossos sonhos, nossos sorrisos e nossa companhia, àqueles que tanto necessitam. Além, claro, do auxílio material que podemos prover aos mais pobres que nós. Afinal, tudo a Deus pertence, o que recebemos foi para o cuidado, não para a posse”, finalizou.

Neste domingo (03/06) a Trezena acontecerá às 18 horas e contará com o tema: “O santo do Evangelho”.

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