Ressurreição, conversão e comportamento humano

Frei Clarêncio Neotti

Aos Apóstolos não foi fácil aceitar a Ressurreição, ainda que Jesus a tivesse predito (Mt 17,9.22; 27,63; Mc 9,30; 10,34; Lc 18,33). Deixaram-se convencer pelas provas e pela graça (“Jesus lhes abriu os olhos da inteligência”, lemos em Lc 24,45) e, ao partirem para a pregação, apresentaram-se sempre como ‘testemunhas da Ressurreição’ (At 2,32). Ao pregarem a Ressurreição, os Apóstolos a uniam ao perdão dos pecados e à conversão. Os profetas prometiam o perdão em nome de Javé, porque só Deus podia perdoar pecados (Me 2,7). Agora, o perdão é dado em nome de Jesus de Nazaré ressuscitado. No nome de Jesus está a salvação (At 4,12). Os Apóstolos, na sua pregação, vão acentuar que Jesus morreu e ressuscitou para a remissão dos pecados (At 5,31). Jesus mesmo dissera na Última Ceia que seu sangue seria derramado para o perdão dos pecados (Mt 26,28). Em outras palavras: para a santificação de quem crer nele e na sua missão salvadora.

Os Evangelistas acrescentam que o perdão é para todos. Não há povo, não há classe social privilegiada. Entre os quatro Evangelistas, Lucas é quem mais acentua a universalidade da graça de Deus. A condição imposta é para todos a mesma: crer no nome do Senhor Jesus e converter o coração. À fé devem seguir e acompanhar as obras boas, fruto de um coração voltado para Deus. Por isso a fé tem tudo a ver com o comportamento e a justiça social. Já o Apóstolo Tiago observou isso, quando escreveu: “De que aproveitará a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? Poderá a fé salvá-lo? Se o irmão ou a irmã estiverem nus e carentes do alimento cotidiano, e alguém de vós lhes disser: ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, mas não lhes der com que satisfazer à necessidade do corpo, que adiantaria? A fé sozinha, se não tiver obras, será morta” (Tg 2,14-17).

rodape-clarencio