A InstituiçãoNotícias › 09/04/2018

D. Luiz: “Sejamos, pois, alegres na esperança!”

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Frei Augusto Luiz Gabriel e Moacir Beggo

Vila Velha (ES) – Com reiterados pedidos do Arcebispo Dom Luiz Vilela para não perder a esperança, terminou nesta segunda-feira (9/4) a 447ª Festa da Penha, depois de oito dias de muita devoção e celebrações. Nesse tempo, Maria foi o centro das atenções do povo capixaba, especialmente nas grandes demonstrações de fé da Romaria dos Homens e das Mulheres, que levaram às ruas mais de 700 mil pessoas.

Nesta segunda-feira, feriado em Vila Velha para festejar a sua Padroeira, o Convento da Penha foi o destino da grande maioria do povo capixaba, que já começou a peregrinar para este “Santuário da Graça e do Perdão” a partir da meia-noite desta segunda-feira, quando foi celebrada a primeira Missa do dia.

Às 15h30, os frades do Convento da Penha começaram a preparar o povo para receber a imagem de Nossa Senhora que foi carregada por um grupo de marinheiros no meio da multidão, calculada em cerca de 80 mil pessoas. Às 16 horas, uma procissão cruzou a multidão trazendo os frades franciscanos, os acólitos, os seminaristas e diáconos, os sacerdotes, os bispos Dom Paulo Dal’Bó (São Mateus), Dom Dario Campos (Cachoeiro de Itapemirim), Dom Décio Sossai Zandonade (emérito de Colatina), Dom Rubens Sevilha (nomeado bispo de Bauru) e Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias (Colatina) e o Arcebispo Dom Luiz Mancilha Vilela. A Missa solene contou com a presença de autoridades civis, entre elas o Prefeito de Vila Velha, Max Filho, e o prefeito de Vitória, Luciano Rezende, e as autoridades militares do Estado.

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“Acabamos de viver o Mistério da Páscoa na semana passada, quando meditamos sobre dois aspectos fundamentais da nossa vida e da nossa fé: o mistério da dor e o mistério da alegria”, abriu a sua reflexão Dom Luiz. “A Mãe e discípula de Jesus ensina-nos a viver tanto o mistério da dor como o mistério da alegria que nós chamamos de Mistério Pascal”, acrescentou o Arcebispo.

Segundo Dom Luiz, a piedade popular vem, através destes dois mil anos de vida cristã, vivenciando as dores de Nossa Senhora, cravando-as simbolicamente, na alma cristã, como as “sete dores da Mãe de Deus”. “Quem viveu e meditou durante a Semana Santa a Paixão e Morte de Jesus, pode avaliar o significado do sofrimento, da dor de Nossa Senhora. Mas isso, também nos faz pensar nos sofrimentos causados por tantas injustiças nos dias de hoje. Quantas mães sofrem porque seus filhos foram assassinados em nossa sociedade capixaba e brasileira”, lamentou. “Nossa Senhora das Dores consola e ampara estas mães sofridas e aponta para Aquele que nos dá força, Nosso Senhor Jesus Cristo. A Mãe nos acolhe em seu colo maternal para nos consolar e nos ajudar a mantermos a fé a esperança”, disse.

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“Nossa fé não fica parada na dor de Jesus e da Mãe de Jesus. Nossa fé ultrapassa os limites humanos sobre o nosso coração e aponta para a luz que veio tirar-nos das trevas. Jesus ressuscitou e, com Ele, nós também ressuscitaremos!”, animou. “Aqui entra a nossa Festa de hoje, Festa de Nossa Senhora das Alegrias. Sofremos com Maria nossa querida mãe. Mas não perdemos a esperança porque ela é mãe da esperança, é Senhora das Alegrias”, emendou, recordando as sete alegrias de Nossa Senhora (anunciação do Anjo Gabriel; visita a sua prima Isabel; o nascimento de Jesus; a visita dos Reis Magos; o encontro de Maria e José com o menino perdido no templo; a ressurreição de seu amado Filho; e a assunção ao céu).

“Nossa Senhora das Alegrias convida-nos a não perdermos a esperança e não permanecermos somente nas dores. Jesus venceu a morte e o pecado. O mundo será melhor pela graça de Deus e nossa correspondência. A Virgem da Penha e Senhora das Alegrias ilumina a minha vida, a nossa vida! Por isso, coragem! Cabeça erguida! Sabemos em quem acreditamos. Nós temos uma Mãe que vela por nós e nos ensina a viver na esperança de conquistarmos a paz que tanto desejamos, pois, seu Filho é o Príncipe da Paz”, exortou, encerrando: “Sejamos, pois alegres na esperança, consolados na esperança e no amor!”

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Dom Luiz agradeceu nesta Missa o trabalho de Dom Rubens Sevilha durante seis anos como bispo auxiliar. Agora, Dom Sevilha será o bispo diocesano de Bauru. E também agradeceu aos frades da Província da Imaculada pelo trabalho evangelizador no Espírito Santo, especialmente no Convento da Penha.

O guardião do Convento, Frei Paulo Pereira, reservou em primeiro lugar o agradecimento aos voluntários que, “incansavelmente, se dispuseram a servir desde as primeiras reuniões em preparação a este grande evento”. Agradeceu aos poderes públicos, especialmente ao Governo Estadual e à Prefeitura de Vila Velha, aos patrocinadores, sobretudo Banestes, Arcelor, Vale e Café Três Corações. Agradeceu aos pastores das Dioceses do Estado do Espírito Santo, bispos, padres e diáconos. “Gratidão aos devotos romeiros da Penha que não cansaram de oferecer demonstrações de fé e confiança na materna proteção da Virgem das Alegrias, mãe de Deus e nossa mãe”, disse.

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“Esta celebração não apenas encerra a Festa da Penha 2018; ela já marca o início da Festa da Penha do ano que vem. Quando a imagem da Mãe de todo o povo capixaba deixar este altar e for levada de volta ao Convento, colocada lá no alto da Penha sagrada, a Virgem das Alegrias continuará a acolher seus filhos e filhas que não cessam de apresentar preces, súplicas, louvor e gratidão. É isso que faz grandiosos esses dias. A oração de todos em todos os momentos confere grandeza e beleza a este dia festivo”, celebrou Frei Paulo.

“Cada vez que subir ao Convento, cada vez que avistá-lo, cada vez que dele se lembrar, renove a certeza de que Deus cuida de nós com amor de mãe. Esse Deus que assim nos ama, nos convida a cuidarmos uns dos outros”, encerrou.

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OUSEMOS, PEDE PE. LUIZ AOS RELIGIOSOS

religiosos_090418A primeira Missa no Campinho desta segunda, dia da Padroeira, foi da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e Seminário da Arquidiocese. Pe. Luiz Deivys da Silva, da Congregação dos Missionários do Sagrado Coração, em Vila Velha, presidiu esta Celebração Eucarística e, citando o encontro de Maria com Isabel, disse: “Maria ensina a missão da Igreja, a nossa missão”.

“Temos que ter ousadia de anunciar o amor de Cristo sabendo que temos o melhor para oferecer o mundo. A nossa notícia é o melhor que o mundo pode receber. Precisamos anunciar Jesus. Ter essa ousadia. Não cedamos à tentação da preguiça, não cedamos ao ‘sempre foi assim’. Não cedamos! Ousemos anunciar como Maria, caminhar, sair da nossa zona de conforto e proclamar ao mundo o amor de Cristo ”, pediu.

Pe. Luiz disse que é um costume pedir para rezar pela perseverança das vocações. “Mas eu digo para rezar pedindo o discernimento, pois é um perigo quem não se encontrou na vocação e continua nela”, disse.

 

pastorais_090418_1 O ALERTA DE PE. RENATO NA MISSA DAS PASTORAIS

Às 10 horas, no Campinho, foi a vez de todas as Pastorais Sociais da Arquidiocese de Vitória. Nesta celebração, no Ato Penitencial, os agentes pastorais carregaram até o altar uma grande faixa com os nomes dos pecados cometidos nessas pastorais e uma homenagem a todos agentes das pastorais, em especial às mulheres, que prestam serviços aos mais pobres e necessitados e que trabalham no anonimato em suas comunidades.

pastorais_090418_PA missa foi animada pelo coral de crianças e jovens do Projeto Social São José de Calazans e presidida pelo Pe. Renato Criste, coordenador do Departamento Pastoral da Arquidiocese de Vitória e pároco da Paróquia Nossa Senhora da Vitória.

Na sua homilia, ao comentar a visita de Maria a sua prima Isabel, recordou que ela tinha uma meta, mas hoje há muitos caminhos com peregrinos sem rumo. “Vivemos um contexto social e político que tem levado as pessoas à fadiga, senão à exaustão, porque caminham, trabalham, mas não alimentam boas expectativas. O crescente aumento do desemprego, por exemplo, tem levado muitas famílias à margem da pobreza e da miséria, sem condições mínimas para se viver com dignidade. O adulto é tratado como velho, inapto para o serviço. O jovem não tem qualificação. Chegamos ao ponto da indiferença com os problemas que tocam a vida do outro, sempre transferindo para o outro o que qualquer um poderia ter feito”, observou.

Para ele, a violência tem sido um dos maiores dramas nos últimos anos. “Os jovens são assassinados em nossas periferias, a maioria negra e de pouco ou nenhum acesso a oportunidades de mudanças. Recentemente, dois jovens foram assassinados no território da minha Paróquia no domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Ainda hoje, o sangue de muitos inocentes é derramado. Talvez a situação mais agravante, mais que a situação da violência, é a dessensibilização da violência, isto é, um risco de tratarmos os casos de violência como algo comum e aceitável. Para alguns, a superação da violência é uma resposta violenta a tanta violência já existente. A intolerância manifestada nas redes sociais àqueles que são julgados ou não por terem cometido algum crime, palavras e acusações pesadas, que ao invés de edificar são destruidoras e disseminam o ódio e a violência”, lamentou. Para ele, a intolerância racial, política, religiosa e de sexo são exemplos que não condiz com a prática do cristão.

“O dom do Ressuscitado é a paz. Por isso que lugar de acusar esta ou aquela pessoa, devemos olhar para nós mesmos. Que vida eu tenho levado?”, questionou.

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CICLISTAS, A ÚLTIMA DAS ROMARIAS

Em mais uma demonstração de fé e devoção a Nossa Senhora da Penha, foi realizada a última das romarias da Festa da Penha, nesta segunda-feira (9/4). Pedalando, milhares de fiéis saíram de Cobilândia e foram até o Parque da Prainha, em Vila Velha, em mais uma edição da Romaria dos Ciclistas. O trajeto foi feito pelas avenidas Carlos Lindenberg, Jerônimo Monteiro e Champagnat.

A romaria foi marcada pela grande presença de famílias, com crianças e idosos encarando o sol forte no trajeto de cerca de 8 quilômetros. Foram acolhidos por Frei Leandro Santos e Frei Edvaldo Oliveira, que pediram a Nossa Senhora que acolhesse as orações dos romeiros.  Frei Leandro fez um apelo às autoridades. “Que essa bênção recaia sobre as pessoas que têm a responsabilidade de nos governar. Que as políticas públicas também se mobilizem para que haja lugar para as bicicletas em nosso trânsito”, disse ele. E pediu a sensibilidade dos governantes e das pessoas com relação aos ciclistas.

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