Momento histórico na Caminhada Frei Bruno

A última sessão solene do Tribunal Eclesiástico, nomeado pelo bispo diocesano D. Mário Marquez, será antes da Caminhada Penitencial Frei Bruno neste dia 25 de fevereiro, em Joaçaba (SC).

Joaçaba (SC) – Depois de quase cinco anos de trabalhos, neste domingo (25/2), às 8 horas, o bispo D. Mário Marquez (OFMCap), da Diocese de Joaçaba (SC), preside  oficialmente a última sessão solene do Tribunal Eclesiástico para a Causa de Frei Bruno, marcando o encerramento da fase diocesana, em frente à Catedral Santa Terezinha de Joaçaba. Em seguida terá início a Caminhada Penitencial Frei Bruno, que terminará no Cemitério Frei Edgar com a Celebração Eucarística. Esta é a 28ª edição da Caminhada Penitencial e deverá reunir uma multidão no trajeto de quase 3 quilômetros.

“Como bispo diocesano acolhi a solicitação para iniciar o processo de Frei Bruno para uma futura beatificação. Amanhã (domingo) estaremos concluindo, numa sessão solene, o fechamento das caixas que vão levar os documentos a Roma para serem analisados tendo em vista os demais encaminhamentos posteriores”, explicou D. Mario neste sábado, durante coletiva na Catedral Santa Terezinha.

Segundo Frei Estêvão Ottenbreit, vice-postulador da Causa de Frei Bruno, o processo tem exatamente 1.950 folhas. “As caixas vão ser lacradas aqui antes da Caminhada para depois seguir a Roma”, informou Frei Estêvão. “Na Congregação para a Causa dos Santos vão analisar o processo e, se tudo estiver em ordem, com os pareces dos teólogos e da comissão histórica, Frei Bruno poderá ser declarado Venerável pelo Papa Francisco”, acrescentou Frei Estêvão. “Esse título de Venerável é muito importante para o povo, que já pode venerá-lo porque foram reconhecidas as virtudes que ele viveu em grau heroico”, destacou. No processo foram ouvidos 33 depoimentos e o Tribunal chegou a se deslocar, em alguns casos, para ouvir as testemunhas principalmente em Rodeio, Xaxim e Joaçaba, três núcleos onde Frei Bruno permaneceu por mais tempo na sua vida de evangelização.

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Mas Frei Estêvão faz uma ressalva: esse processo pode levar mais de um ano. “O passo dado foi muito importante mas não podemos esmorecer. Então, simultaneamente ao processo no Vaticano, o bispo vai nomear brevemente outro Tribunal, para, desta vez, recolher manifestações de eventuais milagres. Ocorrendo um milagre, sendo reconhecido este milagre, o Papa libera para a beatificação, que segundo novas orientações do Papa Francisco, é feita na Diocese”, orientou o vice-postulador.

Frei Clarêncio Neotti, que presidiu a Comissão Histórica, chamou a atenção para a diferença entre milagre e graça alcançada. “Nós recolhemos centenas de graças alcançadas. Isso não é milagre. Benditas essas graças, mas não são milagres, como uma operação bem realizada, um parto feliz, uma cura de asma etc. O milagre não pode ser explicado pela ciência e nós não temos ainda este milagre de Frei Bruno”, enfatizou o frade historiador, contando que conheceu Frei Bruno como coroinha e mais tarde como noviço.

Frei Alex Ciarnoscki, vice-postulador, adianta que muitas pessoas já relataram graças e milagres alcançados. “Cabe ao novo Tribunal, a ser nomeado por D. Mário, avaliar e analisar possíveis milagres que já foram apresentados”, adiantou.

Frei Estêvão lembra que é importante que as pessoas continuem a rezar e a pedir a intercessão de Frei Bruno. O frade ressalta que é importante comunicar a graça alcançada e fala da importância de se documentar o antes, o durante e depois desse momento. Mas ele também não esconde o otimismo. “A nossa esperança é muito grande. Além disso, tem outro fator que reforça isso. Frei Bruno, na pobreza e na simplicidade em que viveu, visitando as famílias, como um incansável missionário, é exatamente o que o Papa Francisco quer: uma Igreja que não fica dentro da sacristia mas que sai para as ruas, visita as famílias, tem contato com o povo. E isso dá uma grande esperança quando tomar tomar conhecimento. Ele vai se reconhecer em Frei Bruno”, acredita.

Frei Estêvão, que é guardião na Fraternidade do Antonianum em Roma, lembrou dos custos que vai ter o processo a partir de agora. “Na entrega do processo, temos que pagar uma taxa. Depois o processo, que é feito com folhas soltas, vai ser encadernado. A vantagem é que o Papa atual obrigou a fazer uma tabela de custos, que antes não existia. Agora a gente sabe quanto custa cada passo que vai ser dado. Então, precisamos nesse ponto, além de orar a Deus pedindo a intercessão de Frei Bruno por um milagre, entramos também numa fase de custos. Até agora, vamos a dizer assim, a Diocese, a Província da Imaculada e a Paróquia de Xaxim custearam as despesas, mas chegou o momento de pedir ao povo por essa ajuda”, disse.

Segundo o bispo, o coroamento desta fase é resultado da demonstração de fé do povo através das caminhadas penitenciais e do amor a Frei Bruno. “Tudo isso veio fortalecer a nossa ação cristã, a nossa evangelização, a nossa missão como cristãos no mundo tendo em vista que Frei Bruno, como um bom franciscano, na sua humildade e seu jeito de ser, marcou tanto nossa região no Oeste Catarinense e toda Santa Catarina. Por isso, nos orgulhamos e esperamos que seja aprovado esse processo e que seja conhecido futuramente, além de sua beatificação, a sua canonização”, destacou o bispo franciscano capuchinho.

O processo da Causa de Frei Bruno recebeu o “nihil obstat” (nada contrário) no dia 7 de maio de 2013, quando o Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, enviou documento a D. Mário Marquez informando não existir impedimento para iniciar oficialmente o processo de beatificação do frade franciscano da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. No mesmo ano, no dia 30 de outubro, foi instalado o Tribunal Eclesiástico da Diocese, formado por: Pe. Davi Lenor Ribeiro dos Santos, delegado do bispo, Pe. Clair José Lovera,  promotor de justiça; Michelle Selig, notária (secretária); e Cláudio Orço, notário auxiliar. Trabalhou neste processo também uma Comissão histórica formada por Frei Clarêncio Neotti e a historiadora Iraci Lopes, que teve a missão de recolher toda a documentação sobre Frei Bruno, tudo o que se escreveu sobre ele e todas as referências à vida e santidade de Frei Bruno.

“Depois de quase 5 anos nos vimos cada vez mais como Frei Bruno viveu as virtudes cristãs em grau heroico. Podemos chegar à conclusão que Frei Bruno foi uma pessoa de Deus. Uma pessoa que viveu a sua vida cristã, a sua vocação cristã, de uma forma tão intensa, torna-se para nós modelo de vida consagrada e de vivência cristã. Para o povo da região do Oeste Catarinense e do Vale do Itajaí, celebrar este momento, esta caminhada, é motivo para agradecer a Deus que nos concedeu Frei Bruno como amigo e como intercessor junto ao povo de Deus”, celebra o vice-postulador Frei Alex Ciarnoscki. “Aqui merece ser feito um agradecimento a Dom Mário e aos membros do Tribunal Eclesiástico – Pe. Davi,  Pe. Clair,  Michelle, Cláudio) e à Comissão Histórica pelo grande trabalho feito”, enfatizou o frade.

COMO FOI A ETAPA DIOCESANA

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O primeiro passo para um pedido de beatificação é o clamor popular diante da fama de santidade. No caso de Frei Bruno, isso pôde ser visto intensamente  há 28 anos na Caminhada Penitencial Frei Bruno. A partir dessa constatação,  a Província Franciscana da Imaculada Conceição, através do seu Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel,  fez o pedido para abertura da causa, através do documento oficial “Libellum Supplicem” ao bispo diocesano D. Mário Marquez. De acordo com as regras da Santa Sé para a fase diocesana dos processos de canonização, é o bispo da diocese onde faleceu o candidato à santidade que abre o processo. Frei Bruno morreu em Joaçaba no dia 25 de fevereiro de 1960, aos 83 anos de idade.

Com a acolhida do pedido feito pela Província, o bispo fez em seguida uma consulta aos bispos do Regional de Santa Catarina. Tendo o sinal verde dos bispos, ele encaminhou o pedido de abertura do processo ao responsável da Congregação da Causa dos Santos, em Roma, para pedir o “nihil obstat”, um decreto para mostrar que não existe um obstáculo que deponha contra a causa. Esse documento da Congregação foi enviado a D. Mário no dia 7 de maio de 2013.

Com essas duas garantias, dos bispos do Regional e de Roma, o processo pôde caminhar e D. Mário nomeou e instalou o Tribunal Eclesiástico no dia 30 de outubro de 2013.

Desde então, o Tribunal trabalhou na elaboração do processo, do qual constam os documentos oficiais necessários para a sua abertura; 33 depoimentos de pessoas que conheceram e conviveram com Frei Bruno; uma biografia completa, acompanhada de documentos históricos; os escritos de Frei Bruno, acompanhados de uma avaliação teológica.    No total, serão anexadas 5.000 folhas aos autos do processo.

Terminadas as investigações, os autos serão enviados em duas cópias à Congregação para as Causas dos Santos e os originais ficarão em poder do bispo D. Mário.

PRÓXIMA ETAPA – FASE ROMANA

A Congregação para as Causas dos Santos, presidida pelo Cardeal Prefeito Angelo Amato, vai receber o processo da Causa de Frei Bruno. Um relator desta Congregação dará parecer positivo ou negativo sobre a causa. Esse parecer é submetido a votações de uma comissão teológica e, depois, dos bispos e cardeais membros da Congregação. Se eles decidirem pela continuidade da causa, enviam ao Papa o pedido para um decreto de reconhecimento das virtudes heroicas. Se o Papa aceita a solicitação, o candidato passa a ser chamado “venerável”.

Para ser beato, ou bem-aventurado, que significa representar um modelo de vida para a comunidade, será necessário o reconhecimento de um milagre realizado por intercessão do Servo de Deus. No caso de Frei Bruno já existem relatos de graças e eventuais curas que serão analisadas pelo Tribunal a partir da metade deste ano. Deve-se, portanto, incentivar o povo cristão a pedir um milagre pela intercessão de Frei Bruno.

Depois, ainda é preciso passar por mais uma fase: a canonização. Para ser proclamado santo é imprescindível a comprovação de outro milagre, que deve ocorrer após seu reconhecimento  como beato.